
O consumo crônico de álcool e tabaco pode levar ao colapso na produção de energia das células responsáveis pela visão, resultando em danos graves e até cegueira. Essa informação faz parte de um panorama inédito sobre a neuro-oftalmologia, uma subespecialidade médica que combina oftalmologia e neurologia para diagnosticar e tratar problemas visuais decorrentes de doenças do sistema nervoso. A publicação “Neuro-Oftalmologia”, lançada durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador, aborda desde a base anatômica até as doenças mais complexas da área, além de avanços tecnológicos para diagnóstico e tratamento.
De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o olho é a única parte do corpo humano que permite ao médico observar, sem instrumentos invasivos, o que ocorre no sistema nervoso central. O nervo óptico, uma extensão direta do cérebro, é o canal que possibilita essa observação. A neuro-oftalmologia é considerada fundamental na investigação de alterações visuais que podem ter origem no cérebro, nos nervos ópticos ou em outras estruturas do sistema nervoso. Muitas queixas visuais podem ser o primeiro sinal de doenças neurológicas importantes e tratáveis.
Entre as condições que podem ser diagnosticadas pela neuro-oftalmologia estão as neuropatias tóxicas, carenciais e hereditárias, que incluem os efeitos do consumo excessivo de álcool e tabaco, além de intoxicações por metanol. A ingestão de metanol, frequentemente por meio de bebidas adulteradas, pode causar sérios problemas ao longo do trajeto que liga a retina ao córtex cerebral, resultando em adoecimento e perda de visão. Os sintomas de intoxicação por metanol costumam se manifestar entre seis e 24 horas após o consumo, incluindo visão turva, fotofobia e pupilas dilatadas, podendo evoluir para cegueira irreversível.
A anamnese, uma conversa simples entre médico e paciente, é considerada o exame mais poderoso e subestimado na neuro-oftalmologia, levando ao diagnóstico correto em 90% dos casos. Exames clínicos e complementares, como a tomografia de coerência óptica e a ressonância magnética, são utilizados para investigar a condição do paciente. O tratamento varia conforme a causa da neuropatia, podendo incluir a suspensão imediata do agente causador ou a reposição rápida de vitaminas. Em casos de intoxicação aguda por metanol, o tratamento de emergência é crucial para preservar a visão.
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Fonte: Informações do site agenciabrasil.ebc.com.br


















