
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram uma correlação preocupante entre a cesárea e o aumento do risco de câncer de placenta, especificamente a neoplasia trofoblástica gestacional. Este tipo raro de câncer, que se origina a partir das células da placenta, pode se desenvolver no útero e afeta significativamente a saúde das mulheres. O estudo revelou que aquelas que passaram por cesariana têm 45% mais chances de desenvolver essa condição em comparação com aquelas que não realizaram o procedimento.
A neoplasia trofoblástica é a complicação mais grave da mola gestacional, que ocorre quando a fertilização anormal resulta em uma estrutura placentária anômala. Em até 20% dos casos, as células da mola podem se alojar no útero e evoluir para o câncer. No Brasil, a incidência dessa doença é alarmante, com um caso a cada 200 a 400 gestantes, resultando em cerca de 2,9 mil registros anuais de neoplasia.
A pesquisa, que envolveu a análise de dados de 2.904 pacientes atendidas na UFRJ e no Centro de Doenças Trofoblásticas da Nova Inglaterra, ligado à Universidade de Harvard, constatou que 26,5% das mulheres que haviam feito cesárea desenvolveram câncer, em comparação a 20,8% das que não tinham esse histórico. Os pesquisadores sugerem que o corte do útero durante a cesariana pode desregular o sistema imunológico da mulher, facilitando a invasão das células da mola e aumentando o risco de câncer.
Diante desse cenário, os especialistas ressaltam a importância de um acompanhamento mais rigoroso para mulheres com histórico de cesárea, especialmente aquelas diagnosticadas com mola gestacional. Embora a cesárea seja uma intervenção vital em muitos casos, é fundamental que seja realizada de forma consciente, considerando os riscos associados, incluindo a neoplasia trofoblástica gestacional.
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Fonte: Informações do site agenciabrasil.ebc.com.br





















